terça-feira, 31 de agosto de 2010

Transformação do Dançarino

Nasce da sombra o dançarino,
de um ovo de seda e mistério.
E seu perfil é transparente
e sua carne é a de um inseto.

Eu o amo como às borboletas,
à asa das libélulas - e erro
no seu mundo sem solo, reino
que se vai tornando sidéreo.

Suas tênues mãos tocam,
e olha entre verdes águas, cego.
Cada posição de seu corpo
é um símbolo instantâneo e hermétrico.

Toma nos lábios o silêncio
e é um peixe bebendo o mar, quieto.
Gira, e súbito se divide,
como espelho que cai de um prego.




2 comentários:

  1. És um espírito eterno envergando temporária forma física, à maneira de um servidor vestido uniforme de trabalho... Francisco Cândido Xavier

    ResponderExcluir